sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pop Star da Sé - Banda Josie




A banda Josie se apresentou no Metrô Sé semana passada, dia 23 de novembro, no Projeto Som Jovem – Seis na Sé. A Iniciativa é da Secretaria Municipal de Participação e Parceria com apoio do Metrô e o intuito do projeto é conter a população no horário de pico com entretenimento da melhor qualidade para amenizar o fluxo do movimento deste horário.

O que posso dizer deste dia é que foi um dos shows mais gratificantes que fiz na minha vida. É claro que sempre tive o incentivo dos amigos, dos colegas de trabalho e cada apresentação sempre foi uma surpresa, uma nova emoção. Já tocamos também em lugares públicos, mas era no próprio bairro de Santo Amaro, sempre com pessoas conhecidas por perto nos dando aquele apoio moral.

Desta vez não, tocamos longe de casa, no marco zero da cidade, na maior concentração de pessoas no horário do rush da capital paulista. Claro que sempre bate uma insegurança, aqueles questionamentos de sempre: será que o pessoal vai parar para ver o show? Será que não vamos amarelar? Será que chegaremos a tempo? De qualquer maneira foi muito melhor do que nós esperávamos.

A estrutura era profissional, com som de qualidade, um palco gracioso e um cenário muito criativo e bem elaborado. E o mais importante de tudo: a participação do público do começo ao fim. As pessoas que pararam para ver o show cantaram com a gente, aplaudiram, dançaram e com certeza nos deixaram muito mais extasiados do que nós os deixamos, foi uma troca de energia positiva sensacional. O carinho recebido foi indescritível, nos trataram como banda que está na mídia. O público foi nos cumprimentar, bateram foto, pediram abraços e até presente eu ganhei de um rapaz super humilde e gentil.

Não sei ao certo quantas pessoas estavam nos assistindo, mas a sensação foi maravilhosa. Concluí que a população é carente deste tipo de iniciativa e o pouco que é feito para eles já é muito mais do imaginamos. E eu? Me senti totalmente abençoada de poder pelo menos por 50 minutos, ter passado um pouco de alegria para eles com meu jeito descontraído de fazer uma apresentação.

Como a maioria dos amigos sabe, mais do que cantar, me movimento o tempo todo no palco, danço e faço mil caras e bocas. Hoje as palavras são poucas, mas totalmente verdadeiras. Virei por uma tarde, a Pop Star da Sé. E não se preocupem, pois continuo com o pé do chão e sabendo que todos têm 15 minutos de fama. O meu rolou neste dia e só. Graças a Deus não houve aquele deslumbramento juvenil de me achar a tal.

Os meninos da banda também se sentiram glorificados, pois eles também receberam o carinho do público. Meu tecladista, Márcio Medeiros, amigo de longos anos, que sempre morou na Vila Cruzeiro e somos os únicos músicos do bairro que continuaram com a brincadeira de ter banda, depois do boom do cenário musical dos anos 80, me confessou que por alguns momentos do show, seus olhos ficaram cheios de lágrimas, tamanha a emoção que sentiu nesta apresentação. Mais do que tudo, o que vale nesta vida é exatamente isso: os bons momentos que nos emocionam com toda a pureza do coração.

Valeu a pena, êh, êh! Valeu a pena, êh, êh!


Tenham um ótimo final de semana!
Beijos e fiquem com Deus!
Paz & Música

Nana

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mistério divino dos relacionamentos humanos

“Quem poderá explicar esse mistério santo da vida? Dentro desse divino segredo do coração, basta, às vezes, um gesto, uma palavra, um olhar, para que o espírito se algeme a outro para sempre......(50 anos depois - Emmanuel – Psicografia: Chico Xavier)”

Não é mais novidade para ninguém que sou uma pessoa que chora até com beijo de novela. Como diria Zeca Baleiro: “estou tão a flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar”. Sendo assim, é claro que quando li o trecho mencionado acima, no livro “50 Anos Depois”, no segundo capítulo "Um Anjo e um Filósofo", exatamente na página 43, despenquei a chorar.

E o motivo é um só, essas palavras são profundas e verdadeiras e digo mais, não é só quando nos apaixonamos, mas com amizades também. Tudo tem um começo e esse começo é exatamente com um olhar quando as pessoas se encontram e se analisam, depois vem um gesto qualquer e por último, a palavra, a conversa para a aproximação.

Claro que dependendo do nosso grau de carência, podemos confundir essas ações e levar para o lado errado, mas de qualquer maneira, essas duas pessoas já estão entrelaçadas, uma já faz parte da história da outra. No entanto, como já mencionei, esta ligação fraternal não é apenas de relacionamentos a dois, mas também de amizades sinceras. Este trecho me fez lembrar da minha amiga de infância Margarete, que já citei algumas vezes por aqui. Nos conhecemos há quase 34 anos e tudo começou com um olhar, o reconhecimento na sala de aula.

O ano era de 1976 e começava a cursar a 1ª série do 1º grau na escola mais popular do bairro, “Plínio Negrão”, e o que todos fazemos em todos os lugares novos que adentramos mesmo quando crianças? Olhamos tudo e todos ao nosso redor. Mesmo as pessoas tímidas, elas também fazem este reconhecimento. E foi o que aconteceu comigo e com a Margarete. Um belo dia, a criançada da rua estava em frente à minha casa brincando de “amarelinha” e olhei para ela e perguntei: “você não está na minha classe?” E foi assim que começou nossa amizade que dura até hoje. Além de estudar comigo, ela morava na rua que eu havia acabado de me mudar.

Esses dias assisti um filme que falava sobre este tipo de amizade, esta cumplicidade que temos com alguém durante a vida. E não precisei pensar muito. Graças a Deus tenho muitos amigos maravilhosos e fiéis, mas uma pessoa que passou por todas as fases da minha vida, exceto a primeira infância, e que está envolvida em todos as minhas histórias, sem dúvida nenhuma é a Margarete. Posso dizer que de uns anos pra cá, a vida nos separou um pouco, mas separou fisicamente, pois ela casou e não mora mais na nossa querida rua 5, porém, continuamos a quebrar o maior pau por telefone e às vezes nos encontramos no bar da Aniella ou nos eventos sociais da rua 5.

Tive a honra de ser uma de suas madrinhas de casamento, coisa que muito me emocionou e definitivamente, ela é a testemunha de todos os meus devaneios, meus projetos de vida, minhas vontades, meus sofrimentos. Claro que quando ela conta uma história minha, ela tem o dom de aumentar a história e deixá-la mais apimentada. Esse é seu jeito de ser e viver, ou seja, fazendo graça para o mundo. Pelo menos era assim quando todos nós ainda tínhamos uma vida social ativa.

Assim como ela sabe sobre a minha vida, eu também sei sobre a sua vida e muito aprendi com esta pessoa. Por algumas vezes tive que ser dura com suas atitudes. Mas ela é feliz, eu não lembro de ter mandado um e-mail cruel para ela como costumo fazer quando surto, quando estou magoada. Conosco é assim, cara a cara. O que temos que falar uma para a outra é na lata. Uma amizade verdadeira que até olha os defeitos da outra, mas sempre no intuito de ajudar e não de humilhar. Ela quer o meu melhor, assim como quero o seu melhor.

Bom, agora que já declarei o meu amor para a Margarete, coisa que não deveria, pois esta semana ela acabou com os meus dias de luta me criticando sobre o meu jeito de olhar e sentir a vida, escreverei sobre o que sinto referente ao trecho citado no início do texto quando se diz respeito ao amor a dois. Às vezes, não conseguimos entender a ligação que temos com uma outra pessoa. De qualquer maneira, ela está ali, e já faz parte da nossa vida.

Pode ser que um dia a gente nunca mais veja, nunca mais saiba de seu destino, mas mesmo confundindo a situação, o que aconteceu já ficará para sempre. Ainda mais no meu caso que tudo vira música. Tudo é inspiração para uma bela canção. Nossos destinos não foram traçados na maternidade, mas, nossos espíritos, por confusão ou não, já estão ligados para sempre.

E mesmo quando tudo acaba sem ter começado, mesmo quando a confusão já está armada, tudo que acontece nas nossas vidas é uma lição, uma experiência e com certeza muita coisa boa aconteceu, principalmente para mim que enfrentei todos os meus medos tendo que tomar atitudes, tendo que colocar a cara pra bater, tendo que superar o pavor da rejeição. Tudo isso foi muito melhor do que me arrepender de nunca ter feito como aconteceu em outras oportunidades. A dor faz parte da nossa evolução e só quem arrisca tem um retorno e não fica no amor platônico. No sonho, no amor impossível.

De qualquer forma, mesmo se o destino separar nosso convívio e mesmo que nunca mais eu tenha contato com o ser da mais recente ilusão amorosa, sendo carência ou não, sendo loucura ou não, já existe um amor fraterno e uma cumplicidade inexplicável. A paixão, a atração física, o tempo apagará, como tudo na vida passa, este sentimento também passará, mas, a fraternidade permanecerá. Nossos espíritos já estão algemados para toda a eternidade, isso se já não era algo premeditado, algo que tinha que acontecer para resgatar as faltas do passado.

Uma frase que está em alta por causa da exposição na Oca que vai até o dia 20 de dezembro, das 9h às 19h, no Parque no Ibirapuera, na zona sul da capital, é a do livro “ O Pequeno Príncipe”: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ou seja, querendo ou não, mesmo se o sentimento do outro não seja igual ao nosso, mesmo se o que foi importante pra gente não foi para o outro, mesmo se tudo não passou de loucura de uma mente carente, a ligação já foi feita. E a responsabilidade não é de um só. Somos responsáveis por tudo que cativamos, por tudo que cultivamos, por tudo que pensamos e principalmente, por tudo que atraímos para nossas vidas, sendo por afinidades ou por vibrações negativas e positivas.
Encerro o texto com mais uma frase do livro "O Pequeno Princípe": Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.


Paz, Música & Amor
Beijos e fiquem com Deus
Nana

sábado, 31 de outubro de 2009

Convivência - Mensagem de André Luiz - Psicografada por Chico Xavier - Livro: Respostas da Vida


A vida toda sempre demorei muito para dar o primeiro passo. No entanto, quando começo algo levo a sério e vou até o fim, principalmente depois dos trinta. Nos últimos dez anos, dificilmente deixo um curso, um tratamento, uma amizade, um amor no meio do caminho. Me tornei uma pessoa disciplinada, que chego a ser até chata e radical com as coisas que estabeleço para minha vida. E como não podia deixar de ser, continuo firme e forte frequentando há exatos seis meses a Federação Espírita do Estado de São Paulo, lá da rua Maria Paula, no centro da cidade.

Continuo na assistência espiritual, na minha reforma íntima e toda vez que vou até lá é sempre com muita vontade e muita alegria. As palestras continuam me emocionando e a cada dia sinto mais tranquilidade e percebo que estou mais serena, e melhor, sei que não estou mais sozinha em nenhum momento dos meus dias. Claro que pelo simples fato de estar por aqui, já me torna um ser humano cheio de defeitos, que erra, cai, levanta e que ainda tem muito que aprender. Ou seja, tenho que, principalmente, colacar em prática tudo que ando lendo, escutando e estudando. O caminho é longo, contínuo, e o que importa é que chegou a hora e não posso parar de forma alguma.

Na FEESP, em todas as assistências, recebemos um panfletinho com uma mensagem psicografada por Chico Xavier, alternando os ensinamentos de André Luiz, de Emmanuel e outras Entidades de Luz. Muitas dessas palavras, na maioria das vezes, parece que são ditas diretamente para nós, são as respostas para o que estamos sentindo no momento, aliviando nosso sofrimento, aflições e angústias.

Para dividir essas máximas com os amigos, irei selecionar algumas e postar aqui no blog. Hoje recebi uma mensagem que fala sobre um assunto que já li no Evangelho Segundo o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, porém, a mensagem de André Luiz está com uma linguagem mais atual, de mais fácil compreensão. Aí vai:


CONVIVÊNCIA

A vida vem de Deus, a convivência vem de nós.
Aqueles companheiros que nos partilham a experiência do
cotidiano são os melhores que a Divina Sabedoria nos
concede, a favor de nós mesmos.

Se você encontra uma pessoa difícil em sua intimidade,
essa é a criatura exata que as leis da reencarnação lhe
trazem ao trabalho de burilamento (aperfeiçoamento) próprio.

As pessoas que nos compreendem são bênçãos que nos
alimentam o ânimo de trabalhar, entretanto, aquelas outras
que ainda não nos entendem são testes que a vida
igualmente nos oferece, afim de que aprendamos a compreender.

Recordemos: nos campos da convivência é preciso saber
suportar os outros para que sejamos suportados.
Se alguém surge como sendo um enigma em seu caminho,
isso quer dizer que você é igualmente um enigma para esse alguém.

Nunca diga que a amizade não existe; qual nos acontece,
cada amigo nosso tem suas limitações e se algo
conseguimos fazer em auxílio do próximo, nem sempre
logramos (conseguimos) fazer o máximo, de vez que somente Deus
consegue tudo em todos.

Se você realmente ama aqueles que lhe compartilham a
estrada, ajude-os a ser livres para encontrarem a si mesmos,
tal qual deseja você a independência própria
para ser você, em qualquer lugar.

Quem valoriza a estima alheia, procura igualmente estimar.
Se você acredita que franqueza rude pode ajudar alguém,
observe o que ocorre com a planta a que você atire água fervente.

ANDRÉ LUIZ


Que essas palavras toquem vocês como me tocaram hoje à tarde. E que a paz de Jesus te envolva de imensa luz e calor fraterno.


Paz, Amor & Música!
Beijos e fiquem com Deus!

Nana

domingo, 25 de outubro de 2009

Telegrama - Zeca Baleiro


Sempre escuto na rádio Nova Brasil, a música “Telegrama” do cantor e compositor Zeca Baleiro. E esses dias como ando meio down, a música me chamou a atenção, principalmente essas duas frases: “eu tava triste, tristinho”, “eu tava só, sozinho”.

Fiquei pensando também na frase “mais sozinho que um Paulistano”. Esta é uma triste, mas é a mais pura realidade. Mesmo quem tem família na cidade de São Paulo, a maior parte do dia estamos sós. Ou indo para o trabalho, tanto o tempo que perdemos com o transporte público, como com o tempo que perdemos dentro do carro parados no trânsito caótico da cidade, ou no trabalho, concentrados na frente do computador, ou nas viagens de negócio ou em tantas outras circunstâncias. E para quem é solteiro então, após uma certa idade, sem uma galera para sair, sem uma companhia para se distrair.

Quem não tem um relacionamento a dois então é só solidão. Mesmo quem mora com a família, como é o meu caso, muitas vezes só nos vemos aos finais de semana, na hora do almoço, ou na hora no jantar, o resto do dia fico no quarto, na frente do computador, enlouquecida no MSN, Orkut, facebook, youtube e afins. Ou então na frente da televisão assistindo programas, filmes, esportes e a vida social onde fica? Não fica, é claro.

Será que a cidade de pedra nos leva a isso mesmo? O frio, a garoa de São Paulo, o corre-corre do dia a dia em busca do sustento ou em busca do lucro desenfreado distancia as pessoas? Será que tudo isso esfria os relacionamentos de amizade? Muitas vezes, até rola um convite, mas com o frio e a preguiça, preferimos continuar enlouquecidos em casa ao invés de fazer um programinha qualquer para aliviar a dor. Por isso nem tenho como questionar a frase de Zeca Baleiro.

Passei 15 dias em Salvador, desses 15 dias, 11 tivemos um programa, uma festa, um show, um cinema, um churrasco ou simplesmente um encontro com amigos para bater papo. E todas essas baladas com pessoas maduras, dos seus 35 anos para cima. Será que o sol, a praia e o mar são a energia natural que falta em São Paulo e que nos leva a uma outra forma de vida? Pior disso tudo é que São Paulo nos proporciona a melhor noite do país inteiro. Com uma gastronomia e diversidades de comidas típicas fantásticas, além dos shows, teatro, cinema, circuito alternativo com a melhor música independente, balada para todos as tribos, ou seja, temos tudo por aqui, o que quisermos e na hora que precisamos. Qualquer serviço é altamente qualificado, São Paulo é a cidade.

E porque somos tão sozinhos? Tô generalizando? Pode ser, pode ser que falo apenas por mim, mas o meu olhar para os paulistanos é essa mesma, a mesma de Zeca Baleiro.

Outra frase que acho intrigante, mas entendo é: “tava mais bobo do que banda de rock”. Não poderia concordar com isso justamente por tocar rock pop na banda Josie, mas, acredito que Zeca Baleiro tenha escrito esta frase devido a tal atitude rock and roll que uma banda tem que ter para agradar os teens e principalmente para render muito dinheiro para a indústria cultural. Para isso, é preciso ter estilo, pose, movimentos corporais estudados, cabelo esquisito, instrumentos irados etc e tal.

O importante é fixar o estilo e ser identificado por ele onde passa. Acho isto bacana, faz parte do show, mas eu não me encaixo nesta levada. Mesmo na época que era apenas baixista e bem novinha, não conseguia ter este comportamento rock and roll, o que sempre me destacou foi a técnica, o fato de ser mulher, pois nos anos 80 ainda era raro uma mulher tocando um instrumento e porque toco sentindo a música e assim viajo um pouquinho. Mas não tenho cabelo descolado, ao contrário, tenho um descabelado, não tenho tatuagens no corpo, nem piercing, no máximo uma roupinha mais moderninha, pero no mucho.

Agora é claro que quando vejo um vídeo da banda Josie, tento corrigir coisas que esteticamente não ficam legais como os ombros caídos, me deixando meio corcunda. Também ajeitei o modo de segurar a guitarra para ficar mais rock and roll e a posição dos pés quando estou com uma guitarra em punho. Meu pé ficava meio torto, virado para dentro e não era nada legal. Mas tudo isso é porque sou dona do meu nariz e não estou na mídia. Com certeza se um produtor mandasse, uma gravadora ou uma grande rede de televisão, eu também entraria nesta onda. Não posso enganar ninguém, mesmo não correndo muito atrás disso, meu sonho sempre foi fazer sucesso e viver única e exclusivamente da música.

Esta semana, inclusive, estava num ponto de ônibus na Avenida Santo Amaro e aí apareceram seis meninos, nos seus 16 anos, completamente produzidos e lindos, todos de óculos escuros, num estilo totalmente Zac Efron, ator teen do sucesso cinematográfico juvenil High School Musical, até o que tinha cabelos encaracolados, o corte era descolado e os cachos bem definidos e pensei: “Com certeza eles estão indo para o Disney Channel Brasil!” Sério! Não é possível tanta produção para apenas paquerar as menininhas na escola. O destino deles, certamente, era uma emissora de televisão.

Concluindo, o cantor Zeca Baleiro deve achar que uma banda de rock por toda esta produção, pelos pulos, pelas caras e bocas, pelos movimentos corporais e dos cabelos, pelas guitarras jogadas no chão, ou seja, que tudo não se passa de um grande circo armado, tanto é que o fechamento da frase é esta: “tava mais bobo que banda de rock, que um palhaço do circo vostok”.

Bom, mas a música não é só drama, pois ele recebe um telegrama dizendo que no mundo tem alguém que diz que muito lhe ama. E isso lhe deixa tão feliz que até beijar o português da padaria ele tem vontade. É isso mesmo, quando estamos felizes somos capazes de qualquer atitude, da mais singela até a mais insana.
Telegrama - Zeca Baleiro
Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bôbo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundoTem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,que tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Mama! Oh Mama!
Oh Mama!Quero ser seu!
Quero ser seu!Quero ser seu!
Quero ser seu papa!.



Beijos e tenham uma ótima semana!

Paz & Música
Nana

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Moradores em situação de rua

Uma das minhas responsabilidades na nova função que exerço me permite andar pelos quatros cantos da cidade. Do extremo da zona sul, Parelheiros, ao extremo da zona leste, Cidade Tiradentes, São Miguel Paulista e Ermelino Matarazzo. Nunca imaginei que um dia iria aos lugares que vou agora e acho isso muito gratificante. Enriquece meu senso de justiça, uma vez que sempre fui de esquerda justamente por priorizar o lado social.

Durante os 20 anos de Ditadura Militar, os professores tiveram que ficar em silêncio, principalmente depois da instituição do AI5 (ato institucional nº 5), de 13 de dezembro de 1968, onde tudo que fosse falado era subversivo e os comunistas eram literalmente caçados, pois foi formado o CCC (comando de caça aos comunistas).

Sendo assim, a didática nas escolas também sofria censura. E além de fiscalizar o que estava sendo passado para os alunos, foi instituído as disciplina de Educação Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política do Brasil) para enaltecer o governo militar. A frase Ame-o ou Deixe-o era o slogan da Ditatura no início dos anos 70.

Porém, após o término da Ditadura Militar, nos meus 16 anos, exatamente em 1986, quando os professores voltaram a falar sobre política, abracei a causa socialista naquele entusiasmo de querer mudar o mundo que só a juventude tem. Contudo, não era a favor do socialismo onde tudo é do governo, o que também acabou virando uma grande e cruel ditadura nos países que estabeleceram este sistema. E tudo que sufoca o povo não consigo aprovar. No entanto, comecei a priorizar que todos os cidadãos deveriam ter pelo menos o direito ao básico, ou seja, saúde, educação, moradia, saneamento básico, alimentação e lazer, diminuindo assim, as diferenças sociais que são gritantes nos países de terceiro mundo. Atualmente o Brasil faz parte do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), países considerados emergentes, em ascensão econômica, no entanto, ainda estamos muito longe de resolvermos todos os problemas sociais deste país.

Esta andança por toda a cidade me possibilita ver de perto o que sempre quis que melhorasse. Bem ou mal, bastante coisa está sendo feita pela atual administração, mas, sabemos que pela deficiência de todos esses anos de descaso, a cidade cresceu sem organização e muito ainda precisa ser feito.

Entretanto, o que mais me dói não são as favelas, as invasões ou as casas de alvenaria construídas sem planejamento, tornando esteticamente a periferia da cidade nada agradável para os olhos. Nestes casos, de uma forma ou de outra, as famílias, as pessoas, possuem uma casa para se protegerem do frio, do calor e da chuva. Tem favela por aí muito mais organizadas que algumas comunidades. O mais triste de ver, meus amigos, são os moradores em situação de rua.

Sim, eu sei que muito deles não querem ter um lar, não aceitam ir para os albergues. Mas, o que vemos são famílias inteiras morando embaixo de viadutos, nas calçadas, nas praças, nos cantos não só do centro, mas, de toda a cidade de São Paulo. Sem contar, as crianças cheirando cola e fumando crack. Não é preciso ir até a cracolândia, na Nova Luz para presenciar essas imagens, vemos no centro todo crianças drogadas, homens alcoolizados e mulheres em situação física e moral degradante.

Existe Secretarias apenas para cuidar deles, ONGs, instituições privadas que tentam ajudar. Como é difícil ver o que se passa por aí, nos sentimos impotentes diante de tanto abandono. De quem é a culpa? Do governo? Da sociedade? Das igrejas? Das cidades grandes? Realmente não sei dar uma resposta para este problema. Só sei que às vezes, o pouco que parece insignificante, pode ser muito para quem está passando frio e fome na rua.

Em pleno inverno de julho, naqueles dias gelados da madrugada de São Paulo, li no caderno Cotidiano, do Jornal Folha de São Paulo, que um grupo de ciclistas urbanos comprou cobertores e distribuiu para os moradores de rua na região da Paulista e dos jardins. Outros grupos também de pessoas do bem, distribuem sopas, que além de alimentar, aquece a alma desta parte da população. Isso não resolve o problema, mas ameniza a dor, o frio e a fome de quem está nesta situação.

Como escrevi acima, muitos rejeitam qualquer tipo de ajuda e preferem ficar vagando por aí, mas a maioria realmente está nessa situação por falta de condições financeiras, de recolocação no mercado de trabalho e por não terem uma família pra contar. Triste realidade. E nós? Eu mesma me fecho dentro de casa remoendo pequenos problemas. Triste por não ter um amor, angustiada por coisas que não chegam aos pés de não ter uma cama quente para dormir, um lar, uma família, amigos. Sei que cada um sabe onde o calo dói, angústia faz parte do nosso cotidiano, no entanto, passear um pouco por aí, encarar a realidade frente a frente é bom para lembrarmos o quanto somos privilegiados em possuir uma casa, um emprego, carro, amigos, direito a férias e lazer.

Não é fácil. Para tentar acertar todo esse problema, o trabalho a ser feito é muito maior do que de solidariedade. É um trabalho árduo, de reestruturação social e nós, que sonhamos por um mundo melhor, temos duas funções, ou o trabalho de solidariedade, ou fiscalizar quem colocamos no poder para resolver os problemas sociais deste Brasilzão afora, desta cidade de pedra, desta cidade que trabalha e nunca para, desta cidade que move o mercado financeiro, desta gritante diferença social, onde têm pessoas que nunca chegaram nem próximas a um bairro da periferia.

Agora uma coisa é fato, não podemos fazer isso sozinhos. O lance é barra pesada. Se quisermos ajudar é melhor buscarmos uma ONG, uma instituição que já faça isso e nos inscrevermos como voluntários. Eles possuem toda uma organização, logística e preparação para este tipo de ação social. Gente, arregaçar as mangas não é fácil mesmo, a realidade é dura, eu, por exemplo, fico aqui escrevendo e também não faço a minha parte. Minha intenção não é dar lição de moral em ninguém, é despertar a todos e a mim mesma da realidade deste planeta terra.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Salvador - Praia, sol, mar, música e muitos amigos!

Foto: Aline Widera
Farol da Barra - Salvador - BA

Mais umas férias, mais um ano em Salvador hospedada sempre com muito receptividade e atenção na casa da minha amiga paulista, Marta Camargo, que há dez anos nos deixou e mora na Praia do Flamengo, última de Salvador, sentido litoral Norte, divisa com o município de Lauro de Freitas. Sua casa é tão graciosa, tão praia, tão armação ilimitada que a chamo carinhosamente de Pousada da Dona Marta. Em setembro, antes mesmo de chegar a primavera, a Bahia já é quente, com muito sol, um mar maravilhoso e chuvas que do mesmo tempo que chegam rápidas, vão embora e novamente o sol se abre para aquecer nossas almas.

Apesar do sol forte, a brisa, pelo menos neste período do ano, refresca e o clima fica agradável, não é aquele calor infernal, abafado de São Paulo. Porém, o que mais me encanta em Salvador é seu povo, a receptividade, a facilidade com que se faz amigos. Sem contar a cultura, as manifestações artísticas e a música, totalmente baianidade nagô.

Este ano não fiz turismo, mas não posso deixar de falar do Pelô, da igreja de São Francisco e Nosso Senhor do Bonfim, do elevador Lacerda, do Mercado Modelo, da Lagoa do Abaeté, do Farol da Barra ao Jardim de Alá, das praias de Amaralina, Jaguaribe, Pituba, Piatã e das tarde em Itapuã. Mesmo sendo furtada por um trombadão nas calcaças de Itapuã, onde o meliante levou a câmara digital da minha irmã Rosely, tudo para mim por lá é sempre encantador e não me assustou nem um pouco.

Não houve armas, nem faca, nem cacos de vidro, como acontece em São Paulo, apenas marcamos touca e o trombadão tirou a máquina das mãos da minha nova amiga carioca que mora em Salvador, Ana Zanella. No entanto, tanto ela, como a Marta, duas atletas de ponta, ainda tentaram recuperar a câmera digital, correndo como loucas pela orla de Itapuã atrás do ladrão. Uma loucura de momento, mas que mostrou a amizade, carinho e preocupação. Elas ficaram indignadas, pois estávamos tirando uma foto de "uma tarde em Itapuã" e o estraga prazer acabou com a nossa homenagem aos cantores, poetas e compositores, Vinicius de Moraes, Toquinho e Dorival Caymmi.

Mas o que me faz mesmo querer morar em Salvador é a facilidade de fazer amigos e bons amigos. Um povo atencioso, alegre, hospitaleiro, me sinto muito querida nesta cidade. Na verdade teve um dia que me senti uma celebridade. Uma amiga de Marta, queria saber quem era a Nana, que todos diziam que ia chegar, que estava em Salvador, coisa e tal. Até brinquei com Marta, quando ela me ver, vai dizer: "Esta merdinha é a Nana!", pois como sabem sou baixinha, magra, ou seja, pequenininha. E no primeiro momento, como sou tímida, nem sou tão falante, tão sociável. Preciso sempre de um tempo para conquistar a amizade dos outros, porém, em Salvador, a receptividade dos baianos colabora com esta minha timidez e tudo flui como se todos fôssemos amigos de infância.

Sempre quando vou para lá, volto para São Paulo meio em crise. Desta vez não voltei mal, mas me emocionei muito ao me despedir da Marta, ao me despedir dos velhos e novos amigos, ao me despedir de Salvador, ao decolar e ver do céu aquele mar esverdeado e toda vez que lembro das coisas boas que me acontecem quando vou para aquela cidade do bem. Tenho muita vontade de morar em Salvador, mas, sei que no momento é impossível, por causa da minha nova carreira profissional e principalmente por causa dos meus pais. Hoje quem cuida deles somos nós, Rosely, Maurício e eu.

Algumas coisas poderiam adiantar este projeto de vida, mas, ainda não foi desta vez. Contudo tive boas surpresas e com certeza amizades que não serão apenas de umas férias, serão amizades que durarão para sempre. Se Deus permitir, eu volto e cada vez em períodos mais curtos de tempo, pois a concorrência das novas companhias aéreas facilitam a cada dia a vida daqueles que gostam de viajar e que têm famílias em outros estados. De uma certa forma, a globalização não é tão nociva assim. Hum, se meu professor Henrique ler isso, estou frita!

Mesmo quando Marta não podia estar comigo, sempre tinha um amigo cortês para me fazer companhia e se não tinha todos os dias é porque a Praia do Flamento é 30 km do centro de Salvador. Conheci novos amigos e amigas, aqueles que abrem suas portas e que te convidam para uma próxima vez ficar hospedada próximo ao centro. Na Pousada da Dona Marta, no Flamengo, porém, já sou local, fico à vontade, até indicando onde ficam as barracas. Lá é o tipo de praia de veraneio, um sossego, onde eu podia caminhar sozinha na praia por horas, mergulhar no mar para deixar as ondas levarem as energias negativas do meu corpo e à tarde, andar de bike. Quase virei uma atleta, pois às vezes também nadava na piscina do Village de Marta. Sem falar a Gildete que nos fazia uma comida divina e o seu Zé sempre tão bacana. A Cynthia me convidando para o churrasco gaúcho, preparado pelo seu marido Cláudio, me levando torta de capuaçu e tantos outros personagens desta praia, como a lendária Betina, o Lima e o Airton do quiosque, que mesmo quando não pedia, ele me trazia água de coco após minhas caminhadas na beira do mar.

Tem o pessoal das baladas, todos sempre adoráveis, divertidos e totalmente do bem. A Dani, figura total, Lai e Fabiana sempre tão atenciosas, Luciana que se deslocou de longe apenas para me dar um abraço, Neila com sua voz, nos encantando no seu grupo de samba Chita Fina, Poliana quebrando tudo na percussão também no grupo Chita Fina, a Ana, minha nova amiga e confidente, já sabe tudo de minha vida, fez almoço pra gente, pudim e um cheesecake maravilhoso de goiaba e Jac, minha mais nova amiga, que sabe tudo sobre espiritualidade e com isso, nossas conversas sempre fluem naturalmente. Sem contar, Elmo, Isinha, Jorá, Jocá, Paulinho, Rai e tantas outros que conheci em 2007 e agora em 2009.

Ainda temos a outra galera da Marta, aqueles que a receberam de braços abertos em 1999 e a socorreu nos momentos difíceis e a acolheram nos momentos alegres e que também tive o prazer de conhecer em 2006 e revê-los nesta minha atual temporada por lá. Sua quase irmã, Claudinha, o Lua, campeão de surf baiano de longboard e sua mulher Cecília, no qual o filho Otávio é afilhado de Marta, a Anita, ex-personal trainer da Daniella Mercury e agora professora de Yoga conceituada e que mora em Barcelona, o Alê, a Vivi, a Alessandra, poxa vida é tanta gente, que espero não ser injusta e ter falado de todos.

No comemoração oficial do aniversário da Marta, na Borracharia, uma danceteria alternativa de Salvador, localizada no Rio Vermelho, que é mesmo uma borracharia durante o dia e que tem um visual totalmente underground à noite, todas as tribos estavam reunidas. O DJ Roquinho tocou tudo de bom dos anos 80, inclusive Michael Jackson, foi uma arraso esta festa. Meu querido Aeroanta virou fichinha perto deste local tão crazy.

E também tão poderia deixar de falar do adorável Creperê, da Fátima e da Cláudia, onde faço questão de ir pelo menos umas duas vezes cada vez que vou para lá. Um crepe maravilho, tanto os salgados, como os doces, com uma carta de vinhos bacana e um ambiente totalmente acolhedor e encantador. E a Marta, é claro, que sempre acolhe seus amigos paulistas com a maior boa vontade do mundo. Sua casa sempre têm hóspedes que sempre voltam, pois o tratamento é da melhor qualidade, têm suas regras e toda regra tem que ser respeitada, é a lei do amor sendo aplicada: "amai a Deus sobre todas as coisas e o próximo, assim como a si mesmo" e para que tudo funcione bem, é tudo bem simples, é só não fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem para nós mesmos.

A vida é dura, é de luta? Sim, mas fazer o bem é muito simples, é só pensar desta maneira e tentar agir assim. Daí, ninguém fica mal, ninguém desrespeita o espaço do outro e tudo flui da melhor maneira possível.

Obrigada Marta, obrigada amigos, abrigada terra abençoada!

"Salve Salvador, o negro é raça é fruto do amor, Salve Salvador. Eu queria que esta fantasia fosse eterna, quem sabe um dia a paz vence a guerra e viver será só festejar" - Prefixo de Amor (Baianidade Nagô) - Alexandre Peixe


Paz, Música & Amor


Nana




sábado, 29 de agosto de 2009

Rita Lee and me - Amor para toda a vida


Prêmio Multishow 2009 homenageia
a rainha do rock Rita Lee Jones

Sei que a notícia está velha, porém, resolvi escrever este texto pois lembrei o quanto esta pessoa foi e é importante na minha vida, ou melhor, em todo meu processo musical e artístico. A cantora homenageada no Prêmio Multishow 2009, que ocorreu semana passada (18/08), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, comandado por Fernanda Torres, foi nada mais, nada menos que a Rainha do Rock, Rita Lee Jones.

A retrospectiva da carreira artística de Rita foi narrada por seu filho primogênito Beto Lee, que além de acompanhar a banda da cantora com sua virtuosa guitarra pretinho básico, apresenta o programa, Que Rock é Esse?, na própria multishow. A emoção tomou conta do evento quando sua neta, filha de Beto, entregou o troféu de homenagem à Rita Lee, que se jogou no chão, de brincadeira, é claro, como lhe é peculiar.

Para homenagear a trajetória musical da Rainha do Rock foi montada uma super banda, comandada por Gilberto Gil, Pitty, Dadi, João Barone, Liminha, entre tantos outros nomes da nossa MPB e um medley com vários sucessos da cantora foi interpretado com garra e emoção por todos eles. No final da homenagem, Rita subiu ao palco para agradecer e acabou fazendo a tradicional graça ao comentar sobre política e dizer que preferia sua parte em dinheiro para cobrir sua cirurgia no braço.
Rita Lee & Nana

Esta homenagem me emocionou muito. Não apenas por causa de Rita Lee, mas porque lembrei o que ela representou para mim nesses quase 30 anos que sou sua fã. Lembrei do que me entusiasmava, do que me fazia feliz, do sonho de adolescente, da alegria plena de viver.

Aos 12 anos, como já contei aqui no primeiro texto no blog, assisti na Rede Globo, a série: Os Grandes Nomes, especial Rita Lee Jones. A partir deste dia em novembro de 1980, a cantora passou a ser tudo para mim. Discos, shows, recortes de revistas e jornais, não falava de outra coisa. E não foi nada passageiro.

Era o tipo de fã que tinha que ter todos os discos, ir a todos os shows, chegar uma hora da tarde no Ginásio do Ibirapuera quando o show começava apenas às 20h. Loucura? De forma alguma, tinha que ficar lá na frente, cara a cara. Não era do tipo histérica, mas fazia questão de ficar o mais perto possível. Até hoje, aliás, se não consigo ingressos para a primeira fileira, ou próximo ao palco, nem vou.

Brigava com os amigos quando falavam mal de sua música ou a chamavam de maconheira. Não que não soubesse que a cantora consumia drogas, mas, não aceitava que falassem mal. Todos amigos, mesmo os de escola, continuam me associando ao nome de Rita Lee até hoje. Tanto é que, algumas amigas do Plínio Negrão me fizeram uma surpresa na turnê de 83. A Luciane, a Cecília e a Marília confeccioram uma faixa com um "Rita Lee te adoro", com símbolo do Corinthians e tudo mais, pois tanto a cantora como eu somos corintianas. No final, inclusive, jogamos a faixa para Rita, que agradeceu e brincou um pouco com a gente. A foto da faixa saiu até na revista Capricho da época.

No entanto, o mais importante disso tudo foi a influência musical.
O gosto pela guitarra distorcida, pelo rock e até mesmo pelo pop dos anos 80. Mas, minhas músicas preferidas continuam sendo do disco Fruto Proibido de 1975. Esse tal de Roque Enrow, Agora só falta você, Ovelha Negra, Luz Del Fuego, Fruto Proibido, Dançar para não Dançar, ou seja, todas do LP. Aliás, até hoje este álbum é considerado pelos especialistas como o melhor disco de Rock and Roll nacional de todos os tempos.

Sempre fui uma tiete platônica, não mandava cartas, não era do fã clube oficial, não fico na fila para entrar nos camarins para pedir
autógrafos, como ela mesma diz: “nada mais furado do que papo de tiete". Contudo, sempre foi um amor verdadeiro, não sapatice, mas, coisa que só quem é fã de alguém pode entender. No entanto, em 1995, no show” A Marca da Zorra “, no antigo Palace em Moema, tive a oportunidade de declarar meu amor eterno.

No final dos shows os fãs costumam levantar e ficam em pé na frente do palco. Neste dia, como já estava na primeira fileira, na mesa central, precisei apenas dar um passo e já estava encostada no palco. Quando ela se aproximou, segurei nas suas duas mãos com toda a força e declarei todo o meu amor de 15 anos. No calor da emoção disse mesmo: “Rita, eu te amo!” E o pior de tudo nesta história, é que comecei a chorar e não parava nunca mais. Ela continuou cantando e ficou me olhando, acho que pensou: “quem é essa maluca, que nem adolescente é mais e que não para de chorar?!” Esta maluca, realmente já foi bem espirocada e por causa dela. Quando era adolescente, tinha uma espontaneidade, uma alegria e loucura tão natural de viver que não sei onde foi parar. Quando fiquei adulta tudo isso desapareceu. No máximo, conseguia soltar os bichos, a louca que tem dentro de mim, dançando nas festas das Seguradoras com os amigos de trabalho e até hoje, quando estou no palco nos shows da banda Josie.
Entusiasmo

O que sempre foi natural para mim, hoje, passou a ser apenas uma representação, uma persona. O palco e uma pista de dança quando estou com os amigos securitáros são os únicos lugares que consigo mostrar minha essência. Uma pena! Como ando numa fase de muita reflexão, a homenagem que a Multishow fez para Rita Lee, na verdade me fez chorar aos prantos, pois estes dias estava justamente pensando em entusiasmo. Como ando sem entusiasmo e sem motivação. Traço objetivos e tento realizá-los de qualquer forma. Mas nenhuma meta no momento me traz a paixão necessária para me levar às nuvens. Nem minhas antigas paixões como o Corinthians, a própria Rita Lee e a música me trazem a adrenalina na medida para uma vida interessante.

Eu sei que ando meio assim sei lá o quê e que só falo como sinto falta do passado. Mas definitivamente sinto muita falta do meu entusiasmo juvenil. E mesmo da minha motivação em outras fases da vida. No momento, nada, nada, nada me levanta a moral. Faço porque que tenho que fazer. Por exemplo, Rita irá comemorar seus 40 anos de carreira no Credicard Hall, que fica praticamente ao lado de casa, em Outubro e nem me dei ao trabalho de pesquisar os valores do ingresso. E uma hora dessas, na primeira fileira como gosto, não deve ter mais e por mim, tudo bem!

Apesar, contudo, todavia, mas, porém, as águas vão rolar, não vou chorar, se por acaso morrer do coração, é sinal que amei demais, mas enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz (Saúde – Rita Lee).

Será? Não sei!

Só sei de uma coisa, as mulheres mais importantes da minha vida são do signo de capricórnio, minha mãe, Dona Maria e Rita Lee. As duas me influenciaram completamente. O gosto pelas artes, cinema, leitura, o caráter e o dom musical, sim, Dona Maria é uma verdadeira cantora de samba canção, não digo que Ângela Maria ficaria no chinelo, mas seu potencial de voz é por aí. Não falarei da minha amiga capricorniada, Margarete, para não ficar convencida, rs.......

E VIVA SANTA RITA DE SAMPA – PARA SEMPRE RITA LEE

ENTUSIASMO, ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA?
A vida sem entusiasmo é como um dia sem sol. É como queijo sem goiabada, Romeu sem Julieta, Amor sem beijinho, Buchecha sem Claudinho, Futebol sem bola, Piu-Piu sem Frajola, Circo sem Palhaço, namoro sem abraço (Fico assim sem você -Claudinho e Buchecha) e por aí vai.


Beijos e fiquem com Deus!
Paz, Música & Amor!
Nana